A verdadeira história do alfabeto | The true history of the alphabet

A verdadeira história do alfabeto | The true history of the alphabet

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A

Era o ano de 341 a.C. quando Epicuro partiu de Samos para Téos, e, após ter se frustrado com o filósofo Pânfilo, ouviu notícias sobre o pensamento atomista. Depois de muitos estudos, Epicuro concluiu que a inclinação de um átomo por outro pode ocorrer não somente por necessidade, como pensava Demócrito, mas por atração e desejo. Foi por essa época, também, e em função da constatação sobre o desejo que os átomos sentiam uns pelos outros, que Epicuro desenvolveu a letra A. Os átomos já existiam desde toda a eternidade e o infi nito dos infi nitos, desde o momento causador do caos, mas ainda não havia uma letra para designá-los. Por esse motivo, o desejo de um átomo por outro, o apelo de um átomo pelo outro, não tinha como expressar-se. Não havia uma letra para fazê-lo. E o problema não era só dos átomos propriamente. As pessoas, movidas internamente pela força atômica, também se encontravam carentes de aproximação daqueles por quem se sentiam atraídas. Quando alguém como Demóstrata de Kyos se sentia perdidamente seduzida pelos átomos de Ípsion de Elera, que, por sua vez, não se dava conta do desejo que o visava, não havia forma de expressar tal desejo, pois, quando Demóstrata procurou Ípsion para declarar sua inclinação atomística, faltava uma letra para dizê-lo. Epicuro, observando a imensa lacuna que se desenhava entre as manifestações de desejo dos átomos — no espaço ou nos homens — e sua realização, determinou-se a criar a letra que preencheria todos esses vácuos amorosos. Em primeiro lugar, cuidou de defi nir, pela observação dos movimentos atômicos, qual seria a fi gura geométrica que mais se adequaria à representação de seu deslocamento pelo espaço e pelas células. Decidiu-se pela reta inclinada, que, aliás, também coincide com a defi nição que vinha confi gurando, de que os átomos sentem inhistoria do alfabeto 3A PROVA.indd 7 istoria do alfabeto 3A PROVA.indd 7 9/26/12 9:31 PM /26/12 9:31 PM —8— clinação uns pelos outros. Permaneceu, por alguns meses, com a reta inclinada num ângulo de 45 graus, mas não se satisfazia com ela. Considerava-a insufi ciente para dar conta de todo o circuito que os átomos perfaziam. Foi quando, depois de uma noite com Arícia de Páros, lembrou-se de outra reta inclinada, no mesmo ângulo mas em direção oposta, que, em seu vértice, se encontrasse com a anterior. Isso simbolizaria quase perfeitamente a for- ça magnética que um átomo exercia sobre outro, embora não a importância igualmente relevante da casualidade, que, como seu mestre Demócrito afi rmara, compunha necessariamente a atra- ção entre os átomos. As duas retas inclinadas, encontrando-se no vértice, transpareciam somente atração necessária, e não casual. Mas rapidamente Epicuro se deu conta de que o vazio que havia na base entre as duas retas, sem que o triângulo se fechasse, estava ali justamente para representar o acaso, que, casualmente, já viera integrar-se ao desenho da letra sem que Epicuro percebesse. E ele então se satisfez com o triângulo aberto na base. Mas eis que o mestre, contra sua própria fi losofi a — a de que o prazer é a ausência de dor —, apaixonou-se por Arícia, e isso o afl igia. Convidou-a a frequentar seu jardim e refl etiu sobre o mal que aquela paixão lhe provocava. Como Arícia correspondia aos sentimentos de Epicuro e concordou em participar do jardim, a teoria do prazer como ausência de sofrimento podia ser efetivada sem prejuí- zo teórico. Foi durante essa experiência que Epicuro se lembrou de instalar uma pequena reta unindo as duas retas anteriormente inclinadas, para reforçar a ideia de aliança no bem-estar. Desde então, a letra A tem servido para todas as teorias atomistas subsequentes, como também para designar os aviões, um dos desenvolvimentos da teoria atomista, as aves e a cor azul, que não passa de um encontro feliz de átomos pacífi cos.

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escritos por noemi jaffe

Írisz: as orquídeas | Írisz: the orchids

Finalista do 9o Prêmio São Paulo de Literatura e também do Prêmio Oceanos 2016.

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Finalista do 9o Prêmio São Paulo de Literatura e também do Prêmio Oceanos 2016.

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O que os cegos estão sonhando? | What are the blinds dreaming of?

Em abril de 1945, cerca de um ano após ser presa pelos nazistas e enviada como prisioneira para Auschwitz, Lili Jaffe (cujo nome de solteira era Lili Stern) foi salva pela Cruz Vermelha e levada à Suécia. Lá, ela anotou num diário os...

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2016
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O que os cegos estão sonhando? | What are the blinds dreaming of?

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Em abril de 1945, cerca de um ano após ser presa pelos nazistas e enviada como prisioneira para Auschwitz, Lili Jaffe (cujo nome de solteira era Lili Stern) foi salva pela Cruz Vermelha e levada à Suécia. Lá, ela anotou num diário os principais acontecimentos por que havia passado: a captura pelos alemães, o quotidiano no campo, as transferências para outros locais de trabalho, mas também a experiência da libertação, a saudade dos pais e a redescoberta da feminilidade. Esse diário — hoje depositado no Museu do Holocausto em Jerusalém e que, traduzido diretamente do sérvio, tem aqui a sua primeira publicação mundial — foi o ponto de partida para este livro absolutamente incomum, escrito e organizado por Noemi Jaffe. Em O Que os Cegos Estão Sonhando?, há três gerações de mulheres da mesma família que se debruçam sobre o horror de Auschwitz, no impulso — tão imprescindível quanto vão — de, como observa Jeanne Marie Gagnebin, tecer um agasalho “contra a brutalidade do real”.

http://relogiodagua.pt/produto/o-que-os-cegos-estao-sonhando/
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Lançamento do "Livro dos começos"

O começo não passa de interrupção de algo que já vinha ocorrendo, mas que ainda não tinha recebido nome. As coisas estão em permanente processo até que alguém apareça e nomeie um ponto das coisas como começo. Assim, o começo pode até...

livro
2015
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Lançamento do "Livro dos começos"

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O começo não passa de interrupção de algo que já vinha ocorrendo, mas que ainda não tinha recebido nome. As coisas estão em permanente processo até que alguém apareça e nomeie um ponto das coisas como começo. Assim, o começo pode até ser chamado de fim, em nome de uma fúria nomeadora. Mais do que nomear, designar um começo é localizar algo no tempo e condená-lo à temporalidade, já que o começo é um elemento da tríade composta de passado, presente e futuro. O que agora é começo em muito ou pouco tempo já será passado. Porém, se não nomearmos nada, se não interrompermos as coisas para chamá-las de começo, elas simplesmente continuarão, sem jamais se darem conta de suas partes ou de sua localização no tempo e no espaço e então não estaremos condenados ao meio e ao fim, pois nenhum deles o será. É como cortar algo que passa, represar a correnteza e desviá-la de seu curso para estabelecer um curso que se disfarça de novo, quando é somente uma violação do que já existia. Começar é o sintoma mais forte do desejo de novidade, já que todo começo contém a energia do novo, a que poucos resistem. Logo depois, o novo se desgasta, vira passado e surgem outros começos, outras interrupções do que já vinha acontecendo para que aquela energia se refaça. Não se respeita a energia da inércia, essa sim mais genuína; uma força que se arrasta sozinha e que se mantém até que sua carga se esgote. É preciso agarrar a inércia, enxertar-lhe forma e significado, até que ela se recomponha e se transforme em começo. Dessa maneira o acontecimento se enfileira, como um soldado a postos, para dar sequência às coisas que de agora em diante se abaterão sobre ele. Ele agora faz parte de uma perspectiva, de um projeto, e terá que se postar obedientemente, para depois ser substituído pelo meio e pelo fim. Ele já avista ao longe, preparando-se, os batedores do meio, que se encaminham para o seu lugar e já lhe lançam olhares temerários. Que o começo não se estenda demais, eles parecem dizer. Que ele não venha com caprichos, retardando o momento da entrada. Que não os atrase, eles dizem. E o começo, que antes vinha embalado, inconsciente de si, no fluxo das coisas, conforma-se cabisbaixo a sua nova condição e aceita seu destino.

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Do princípio às criaturas

A partir do último livro de poemas de Antonio Cicero, A cidade e os livros, de 2002, este estudo busca compreender como sua dicção aparentemente classicista se constitui, na realidade, como uma poética contemporânea e "agoral". Ao mesmo...

livro
2007
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Do princípio às criaturas

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A partir do último livro de poemas de Antonio Cicero, A cidade e os livros, de 2002, este estudo busca compreender como sua dicção aparentemente classicista se constitui, na realidade, como uma poética contemporânea e "agoral". Ao mesmo tempo, o estudo estabelece a idéia de que a poesia de Antonio Cicero, em sua tentativa de aproximar-se integralmente da superfície das coisas, pessoas e lugares de que fala, faz com que o tempo relativista da contemporaneidade, em sua "contingencialidade absoluta", mantenha surpreendentes relações com o tempo absoluto da mitologia.

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-30012008-114424/pt-br.php
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Folha Explica - Macunaíma

"Macunaíma" é um dos livros mais importantes da literatura brasileira, por várias razões: as rupturas narrativas de tempo, espaço e composição de personagem; a ruptura lingüística, que mistura o culto e o popular, o urbano e o regional...

livro
2001
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Folha Explica - Macunaíma

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"Macunaíma" é um dos livros mais importantes da literatura brasileira, por várias razões: as rupturas narrativas de tempo, espaço e composição de personagem; a ruptura lingüística, que mistura o culto e o popular, o urbano e o regional, o escrito e o oral, contribuindo para o estabelecimento de uma "fala brasileira"; a importância da narrativa como personagem propriamente, já que o texto se assume como um relato e o narrador como seu relator; a personagem, herói sem nenhum caráter, que se situa além do bem e do mal; o significado geral da obra, que sintetiza uma reflexão crítica sobre a personalidade do homem brasileiro. E poderíamos citar muitos outros motivos. O fato é que Macunaíma se inscreveu como parte de nossa cultura, incitando polêmicas e desdobramentos em todas as gerações subseqüentes, mas sobretudo muita surpresa e prazer.

Assim como Macunaíma, seu autor, Mário de Andrade (1893-1945), também é fundamental para a compreensão da singularidade do modernismo brasileiro e das manifestações que viriam sucedê-lo. Mário foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna, criador de várias obras importantes, como Amar, Verbo Intransitivo, Lira Paulistana, Contos Novos e Clã do Jabuti; um garimpeiro da cultura popular e do folclore; músico e professor; autor de uma correspondência criativa e crítica sobre a literatura, a música e a cultura brasileiras; crítico da própria obra e do modernismo em geral.

Com tantas grandezas envolvidas, tanto da obra como do autor, seria mesmo difícil compreendê-los inteiramente num espaço pequeno como o deste livro, que deve ser visto como uma iniciação à leitura de Macunaíma, ou um auxílio para sua compreensão e interpretação. Por tratar-se de uma obra com muitas referências externas, é importante contar com um suporte para a jornada de nosso herói sem caráter. Mas não é o caso, de forma alguma, de substituir a fantástica viagem macunaímica por algum outro texto. O dinamismo, o humor, as contradições, o aprendizado só podem acontecer a partir da rapsódia --tudo mais é paralelo. Aliás, é assim com qualquer obra ou autor. Por mais que se faça uma paráfrase detalhada, com análises e interpretações, como acontece neste livro, a intenção é estimular a leitura e a discussão da obra, especialmente de uma obra tão polêmica quanto Macunaíma.

As obras literárias não servem a nada nem a ninguém. A melhor maneira de lê-las, fruí-las e entendê-las é com um sentido íntimo de liberdade, mesmo que tenham sido recomendadas por professores, que sejam necessárias para o trabalho de pesquisa ou para outros fins. Uma obra da dimensão de Macunaíma, mesmo quando sua leitura é obrigatória, só poderá ser conhecida se, durante a leitura, o leitor desobrigar-se de algum objetivo final. Cuidemos disso posteriormente, depois da leitura concluída. Este breve livro sintetiza a narrativa de Macunaíma, com análises e interpretações,1 e apresenta suas principais leituras críticas, dados contextuais da época em que o livro foi escrito e uma pequena biografia de Mário de Andrade, além de resumir algumas repercussões que o modernismo e Macunaíma tiveram na vida cultural do país até a década de 1960.

1 "Análise" como levantamento dos dados materiais do texto (características de personagens, tempo, espaço, foco narrativo, linguagem etc.) e "interpretação" como conjeturas sobre as motivações internas e externas desses mesmos dados.

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Comum de dois

- amor, como você definiria "arte"?
- ai, você sempre com essas perguntas do nada. sei lá, por que você simplesmente não curte as coisas em vez de querer ficar sabendo o significado? e você ainda acha que eu, eu vou saber isso?...

livro
2014
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Comum de dois

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- amor, como você definiria "arte"?
- ai, você sempre com essas perguntas do nada. sei lá, por que você simplesmente não curte as coisas em vez de querer ficar sabendo o significado? e você ainda acha que eu, eu vou saber isso? os filósofos estão discutindo isso há milênios e eu vou saber a resposta?
- nossa, bem, que discurso inflamado só por causa de uma pergunta. em primeiro lugar não pedi pra você me dar "a" resposta. só perguntei como "você" definiria. em segundo lugar, quanto mais a gente sabe sobre aquilo que a gente gosta ou não gosta, mais condições a gente tem de fazer escolhas. ah, que chatice, parece que eu tô na escola. se não quiser, também não fala. só queria conversar.
- tá bom, tá bom. não precisa levar tão a sério. deixa eu ver... arte... hã.. arte. sei lá, pra mim arte é uma mistura de técnica e emoção, é isso. e mais alguma coisa, não sei, algum mistério que a gente sente quando vê alguma coisa e que eu não sei de onde vem, mas que eu e muita gente sente.
- mas quanto de técnica e quanto de emoção você acha que tem? 50% e 50% ou 30% e 70%? e a arte que não tem emoção, que é só forma?
- eu sei lá a porcentagem, amor! porcentagem não combina com arte. e arte que não tem emoção, pra mim, não é arte.
- mesmo se todo mundo aceita como arte?
- mesmo assim.
- mas e isso que eles chamam de arte conceitual? você já viu, tipo aquele quadro que diz: "isso não é um cachimbo"? aí não tem emoção e é arte!
- taí, agora você me pegou. não tinha pensado nisso, mas você tem toda razão. então não sei definir.
- já sei. acho que arte é isso mesmo: um cachimbo que não é um cachimbo, uma coisa que é sempre outra.
- não, amor, essa é a história do rio, onde nunca se entra duas vezes.
- ah, é. tinha esquecido.

http://www.amazon.com.br/comum-dois-Noemi-Jaffe-ebook/dp/B00N16WGRK/ref=sr_1_2?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1443216853&sr=1-2&keywords=noemi+jaffe
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Quando nada está acontecendo

"Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo", dizia sabiamente Guimarães Rosa. Na ânsia por grandes acontecimentos, perdemos os pequenos eventos que ocorrem ao nosso redor.

Em Quando nada está acontecendo, a autora...

livro
2011
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Quando nada está acontecendo

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"Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo", dizia sabiamente Guimarães Rosa. Na ânsia por grandes acontecimentos, perdemos os pequenos eventos que ocorrem ao nosso redor.

Em Quando nada está acontecendo, a autora volta nosso olhar às coisas mais singelas com grande sensibilidade. Uma paisagem, uma lembrança, um sorriso amigo, uma música marcante, um novo sabor, uma descoberta, enfim, essas tão grandes pequenas coisas que justificam cada dia e dão sentido à vida.

http://www.amazon.com.br/s/ref=nb_sb_noss?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&url=search-alias%3Dstripbooks&field-keywords=quando+nada+est%C3%A1+acontecendo
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Todas as coisas pequenas

"Todas as coisas pequenas querem virar pensamento. É dessa passagem daquilo que parece miúdo até uma estrutura intelectual, mítica, subjacente, que o trabalho de Noemi tira sua força." - Nuno Ramos

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2005
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Todas as coisas pequenas

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"Todas as coisas pequenas querem virar pensamento. É dessa passagem daquilo que parece miúdo até uma estrutura intelectual, mítica, subjacente, que o trabalho de Noemi tira sua força." - Nuno Ramos

http://www.amazon.com.br/Todas-coisas-pequenas-Noemi-Jaffe-ebook/dp/B00KN164UG/ref=sr_1_5?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1443216853&sr=1-5&keywords=noemi+jaffe
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O que os cegos estão sonhando? | What are the blinds dreaming of?

Em abril de 1945, cerca de um ano após ser presa pelos nazistas e enviada como prisioneira para Auschwitz, Lili Jaffe (cujo nome de solteira era Lili Stern) foi salva pela Cruz Vermelha e levada à Suécia. Lá, ela anotou num diário os...

livro
2012
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O que os cegos estão sonhando? | What are the blinds dreaming of?

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Em abril de 1945, cerca de um ano após ser presa pelos nazistas e enviada como prisioneira para Auschwitz, Lili Jaffe (cujo nome de solteira era Lili Stern) foi salva pela Cruz Vermelha e levada à Suécia. Lá, ela anotou num diário os principais acontecimentos por que havia passado: a captura pelos alemães, o cotidiano no campo, as transferências para outros locais de trabalho, mas também a experiência da libertação, a saudade dos pais e a redescoberta da feminilidade.

Esse diário - hoje depositado no Museu do Holocausto em Jerusalém e que, traduzido diretamente do sérvio, tem aqui sua primeira publicação mundial - foi o ponto de partida para este livro absolutamente incomum, escrito e organizado por Noemi Jaffe. Em O que os cegos estão sonhando?, três gerações de mulheres da mesma família se debruçam sobre o horror de Auschwitz, no impulso - tão imprescindível quanto vão - de, como observa Jeanne Marie Gagnebin, tecer um agasalho "contra a brutalidade do real".

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português

In April 1945, about a year after being arrested by the Nazis and sent to Auschwitz as a prisoner, Lili Jaffe (whose maiden name was Stern) was rescued by the Red Cross and taken to Sweden. Once there, she wrote in a diary the main events through which she had gone: the capture by the Germans, the routine in the camp, the transference to other labor camps, but also the experience of liberation, the longing for her parentes and the rediscovery of her femininity.

WHAT ARE THE BLIND DREAMING OF? 
Translated by Vivian Schlesinger 

Part 1.

The Diary of Lili Jaffe (1944-1945)

Szenta, April 25, 1944

Everyone around me, including myself, is sad. We know what is happening and also what will happen. My father sits on the couch all morning, quiet, staring into nothing. At times he looks at us and closes his sad eyes. My mother comforts us: she will not believe in evil, but she packs our bags, makes sweets and sighs inwardly, so that no one will see.(...) No one will tell us anything, but we know what is happening. We knew that on the following day, at eight o’clock, the Germans would come to get us and tear us out of our home.

Auschwitz, June 4, 1944

(...) We heard a German shouting from the distance: right, left... When we got closer, mother hid me under her coat, (...) trying to keep them from separating us. We reached the first German. He commanded us to go to the left side. Another one examined us and let us through. At midnight we entered the concentration camp.(...) There was fire, flames and the feeling that we were closer and closer to the fire. (...)

August 2nd

It has been almost a month since I started in the kitchen. I got used to the fact that we had as much food as we needed. But it was not enough for us. We knew many who went hungry. (...) It is very dangerous to steal, even in an organized fashion. Woe is he who is caught by a German! (...) The day before yesterday, Hajnal brought again almost a kilo of margarine. Alice immediately hid it among the cabbage heads, with the intention to take it out at night, before we went back to the barracks. Then one of the girls asked Alice for some margarine, because she had none. She did not feel well, could not eat the hard bread (...)

While they were there, on their knees, I came back. On the way, I was told what happened. I never even thought about what I should do. I ran straight to the German woman to tell her I was guilty. When the other girls saw what I was about to do, they held me and would not let me go, because they knew it would mean death. I was stronger than them, search time was near. (...) And I was not afraid of death.I went in. Knocked on the door. In the room was the German woman and a German man. - Why are you here? What do you want? At that point I could not reply. I was crying, and amidst my tears, I said: - Let my cousins go. They are not guilty. I stole the margarine.(...) I tried to beg for mercy, but she did not even want to hear it (...) And she left. Meanwhile, he led me outside to a pile of bricks, where he commanded me to kneel. And to hold a huge brick over my head, a brick I could barely lift off the ground. (...) I lifted the brick as high as my head, with tremendous effort, but I could not hold it up. It fell on my head. But I was strong. In my mind I saw everyone going through roll call, including my cousins. Tears fell from my eyes like rain, not because I was sorry for what I had done, but out of sheer pain. I knelt there, for two hours.

Part 2.

DESTINY

(…) She plainly believes in destiny. For her, as for all those who believe in it, destiny is a force that determines by anticipation the events in the lives of all beings. Nothing is random. Otherwise, in her opinion, she would not be alive, the strokes of luck that made her survive would not have happened. (…)
To destiny one must merely submit (…) Destiny is that which one goes through; it is the place one goes to, even if the paths be unknown, undesired, or tortuous. Tragic characters dressed up in goat costumes, thus the name tragedy, from tragos, goat. Their song, odia, is similar to that of a caprine animal in agony, nearing death; a drunken song, dionysiac, of someone whose death does not frighten, due to the state of unconsciousness. It is the scapegoat, which brings about catharsis (…)
Destination, fatality, fact. Destination is a fact and one does not question facts.
It seems easy to understand why she believes in destiny in such a sacred, untouchable way. As if this belief would help her to also expiate the guilt of having survived, as if it were an explanation for everything: for the death of others as well as for her survival. This faith would also have helped her build the pyramid of forgetfulness, starting from which she seems to have succeeded at surviving in the best possible way. If everything was already predicted, it is more conceivable to forget or even to survive. (…) Even if remembering or disbelieving fatality sounds more painful or complex, attributing everything to foreign forces, predesigned, is also not simple. It is a cutting pain, of a straight-edge razor, from the impossibility of glimpsing beyond the fact (…).
The fact, or destiny (or is fact destiny?), is that this seems to be only one of many random events, strokes of accident, which happened to her and which announced, symbolically, a conspiracy of signals that enabled her to survive.
(Luck is a chain of random events also manipulated by the lucky person, who embraces and manages them in such a way that they keep occurring in his favor.)
Why were some lucky and others not? Why did the happy coincidences only happen to so few? Were they chosen? (…)
She doesn’t know why; she simply accepts it. For her, there must have been some reason. Perhaps the only reason is the way each was able and knew how to handle random events, taking advantage of even the most insignificant opportunities. Perhaps not even this. (…)

STONE

There is no way to dramatize or metaphorize the stone. And yet it is the most vivid event, fact, in her memory and that of her daughters. It is as if this fact were a synthesis of her and of the war, even though it is not. There is no synthesis of war; there is nothing that can symbolize war or suffering, although the stone object, the punishment object, the butter object can each be transformed into a symbol. But no one, from outside this story, has any right to transform this object into a story. How can a thing like this turn into a story? How should one tell this fact? How should one listen to this fact? In 2009, in Auschwitz, this stone could be everywhere, any place could be the place where she held this stone. And yet, this place, this stone, would never be there, because what happened, even if it was at a specific place, is no longer at that place. (…) Only those who did not live it have the duty to remember it, without the least hope of doing so, because it is gone. The attempt to see the place where things happened, and once there, still see again exactly the stone that was carried or the point at which she carried it, is so poetic it is ridiculous. (…) One who takes pity understands pain, and pain cannot be comprehended; the suffering comprehends nothing. So what is the moral of the stone? What sense in knowing this terrible story? Perhaps simply the knowledge that it makes no sense and that there is nothing to learn from it. One must not, must not, must not be in the least tempted to turn her into a heroine on account of such atrocious suffering. There, in the camp, suffering was common and her punishment was even moderate and bearable. But it is so difficult to look at her slowly and not think she held the stone; if she has forgotten, how did this define her? Or was it the stone, among so many other things, that determined her reason (or non-decision, it is impossible to tell) for forgetting? She forgot, she thinks no more about any of that, but if anyone asks, or if she decides to tell, it is the stone she talks about. Why did the officer decide not to send her to the gas chamber and agreed to reduce the penalty? Why did she choose to pay for an act she did not commit? Why did her cousins ask her to do it? (…) The stone object is greater than the stone-story; than the stone-symbol. But those who did not live the stone, who are children of the fact, can only think about it as an indirect event, as a symbolic force.(…) Being the child of a survivor comprises, somewhere in a remote and inhospitable place in memory, the temptation to have been in the place of the survivor. Not allowing her to live through all that, traveling to the past and to be able to immobilize it, to kill the officer who commanded the punishment. To pierce time and camp rules and save the mother. (…) The wish to save the mother is the wish to excise from memory the suffering of the mother so that one may be free of it, so that one can live without the stone.

SPOKESMAN

A spokesman is the keeper of the voice. He hears the voice than another person did not emit, takes it, saves it in his pocket and carries it, like a billfold or a key. Then he, voice-carrier, transmits to others what is in that voice he saved. As though he took it out of a wallet where he keeps his documents, strewn sheets of paper, forgotten, pennies, pictures, money, long-expired credit cards, the old prayer, two match sticks and a toothpick, two bank statements, a dentist calling card and a grocery list. But he also takes out of the wallet things that are not even there, because he carries what the voice did not say and perhaps did not even know it would say, if it did say.A spokesman is a thief of the worst kind. The owner of the voice gives him permission to steal; but he steals more than the owner allowed him, because he is now mute. He is voiceless. The owner of the voice is forced to hear what the spokesman says and to accept that that is what he would say himself. Or worse, what he would not be able to say himself. the spokesman steals the owner’s voice and outdoes it, he brings it to its knees.
Is the spokesman envious?
The spokesman carries the most precious that anyone has. Why does the owner of the voice allow the spokesman to carry his words? Why won’t he speak for himself? The owner of the voice won’t speak because he can’t, he has no ability, has no time, does not remember, does not manage, does not control, does not articulate. He gives another the license to articulate his ideas and opinions. Go, keep them. But which are they, voice owner? I don’t know, I trust you. Make them up.
When the voice owner has forgotten his words, or never even produced them, and someone comes along who wants to carry his voice, he lets him. Remember for me that which I have forgotten.
But don’t tell me. I don’t want to remember. You do this for yourself alone, not for me. I give you my voice, my memory, because I don’t care about them. You do. So go and do it. Keep them and enjoy.

Here, there
Leda Cartum

In February 2009, when we entered Auschwitz together, my mother and I, I felt nothing. It’s not that I was indifferent to it: I could not discern any feeling in the deep white I was living. I could not say: it’s this; or else, it’s that. I could not say anything, as if all words had dried up completely, and no matter how hard I tried to turn to this one or that one, none of them meant anything. Nothing meant anything – and there was so much nothing accumulated in that place suspended, barred from time, that I could barely breathe there. I could not stop at any building, any historic record, any photo or name or shoe. I did not want to be there. I had the feeling of facing the inside of something that can never be turned inside out to reveal its original form: it was like a dome that held air so dense that it hurt on its way in and out of nostrils. Nothing there seemed real, even if everything gave off an odor of reality I had never felt before. And, in anxiety to escape as quickly as possible, in anger for what I did not feel or for what I should feel, appalled to find they had rebuilt part of a gas chamber that had been destroyed by an American bomb, I walked away from every building and exhibit and thrust my feet deep into the snow of Auschwitz. (…)
(…) Soon after having left Auschwitz, I understood something that always haunted me, which was wholly revealed to me at that point: living, for me, had always been a quest to understand this miracle of simultaneity. Ever since I was a child, before I went to sleep, this was one of my greatest sources of anxiety: how is it possible that I am in my bedroom, lying on this bed with the lights out, and at the same time, across the world, someone is being born, and in the depths of the ocean the whales are singing, and someone is killing someone, somebody is crying. (…)
But it was the trip in 2009 to Germany and Poland that showed me the depth of this anxiety that had always haunted me: simultaneity is not merely spatial, it is also temporal. This must have also been the cause of the placeless storm I felt upon entering Auschwitz. To realize that while I am here, living my life, things that have already passed, whether or not they are related to my existence, continue to happen and to echo everywhere, just as if the lives of other times went on because they reverberated in our current lives. My bedtime anxieties proved, then, far deeper than I even had any knowledge of – because they did not only concern all the lives that went on while I was there, they concerned everything that had already happened before and that somehow went on inside me. It is difficult to grasp the dimension of my past and the fundamental influence of things that happened before I was born on that which I am today. The past is a shadow we accumulate: a shadow that has no real weight, but which still bends our back in a real curve. If it is unsettling that, because I have no access to the days I lived, they became mere memories, it is even further unnerving to find there is an entire past previous to my birth, which somehow defines me as a person. When I was in Auschwitz, it was like meeting this time which for me is abstract, but which carries a concrete burden (as I gradually understood) that at times seems far stronger and more powerful than any concrete object around me.
I was born in São Paulo, in the late 80’s. I always considered myself Jewish, but I was never able to say exactly why. Pessach and Rosh Hashana, every year, were a reason for a family reunion, and we celebrate together something which marks us and defines us in terms of identity: I noticedit ever since I was a child, but I did not know what it was. I never had to wear any sign on my clothes that identified me as part of a people. My life was exactly like the lives of all others around me; but I always knew of something I could not define. It was difficult (still is) to understand the dimensions of the identity I carried, although I always knew I carried something that comprised me.

http://www.amazon.com.br/que-Cegos-Est%C3%A3o-Sonhando/dp/8573265027/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1443717399&sr=1-1&keywords=o+que+os+cegos+est%C3%A3o+sonhando http://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=737
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Írisz: as orquídeas | Írisz: the orchids

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Eu precisaria estar tonto ou ser mais parecido com ela para ficar escrevendo sobre o que não sei. Precisaria começar a chorar e não sei mais. A palavra que explica a falta que ela me faz está presa no...

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2015
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Írisz: as orquídeas | Írisz: the orchids

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Eu precisaria estar tonto ou ser mais parecido com ela para ficar escrevendo sobre o que não sei. Precisaria começar a chorar e não sei mais. A palavra que explica a falta que ela me faz está presa no dicionário e não sei tirá-la de lá, porque preciso de Írisz para me ensinar. Releio o que escrevo e já não sei mais se faz sentido. Talvez seja bonito, talvez eu tenha aprendido com ela a transformar em metáfora tudo o que vejo. Se for bonito, a beleza não é minha — é dela. Achei que indo muito longe, falando de um jeito tão diferente do meu, eu ficaria mais próximo de uma forma de pensar e de falar que vem da morte, mas que por isso mesmo está mais perto da vida. Ela não quer mais saber da dor, porque a conhece pelo nome, já conversou com ela. Minha perda é teórica, e deve ser por isso que minha fala é mais sombria. Eu fico aqui, com minha dor intelectual, tentando imitá-la e só o que consigo escrever são palavras mornas.

Agora que ela desapareceu, quis contar a história, que não entendo direito, desde o começo, porque achei que assim entenderia alguma coisa. Ou para ficar um pouco mais perto do jeito como ela veio parar na minha vida que, até sua chegada, era ordenada e calma. Mas então ela chegou trazendo a Hungria, a revolução derrotada, as palavras e um jeito tão desorganizado de fazer e pensar as coisas, que acabou me desequilibrando também. Agora estou sentindo tudo voltar ao normal e preciso daquelas palavras bagunçadas, dos trocadilhos errados, dos ditados em húngaro e em português, do sotaque forçado, das canções inventadas e das perguntas sem sentido para reaver uma desordem de que aprendi a gostar.

Ela veio para cá estudar as orquídeas, assunto que eu conheço mas que ela ignorava completamente. É como se o acaso, o azar e as circunstâncias tivessem preparado uma armadilha: uma pesquisa com flores, cuja descrição, em todos os relatórios que ela escrevia, era flor epífita. Desde a primeira vez, em lugar de fazer anotações estritamente científicas, ela começou a se dirigir a mim, a sua mãe, a Imre e a todo mundo e a fazer comparações entre ela e as orquídeas.

Ela e a orquídea são mesmo parecidas. Brotam no ar, no alto de outros seres fincados na terra — esse sim o lugar certo para crescer. Alimentam-se dos restos de outros seres espalhados por aí e, por isso, passam por parasitas.

leia em
português

1

I would need to be out of my mind or more like her to carry on writing about something I do not know anything about. I would need to start crying and I do not know how to any more. The word that best sums up how much I miss her is stuck inside the dictionary and I do not know hot to extract it because I need Írisz to show me how. I re-read what I have written and I no longer know if it makes sense. Maybe it is beautifully written, maybe I have learned from her how to turn everything I see into a metaphor. It is beautifully written, the beauty has nothing to do with me - it is all down to her. I thought that if stretched myself, and wrote in a style very different from my own, I would get closer to a way of thinking and writing that is brought on by death but that very reason closely relates to life. She does not want to deal with pain any more, because she is intimately familiar with it, she has already got to know it well. My loss is a theoretical one, and tha must be why my language is more sombre. I am stuck here with my intellectual pain, attempting to imitate her, and can only come up with lukewarm words.

Now that she has disappeared, I wanted to tell our story - one that I do not fully undesrstand - from the very beginning, because I thought it would help me undestand it better myself. Or to comprehend a little better how she came into my life, a life which up to then had been calm and orderly. But then she appeared, bringing with her Hungary, the defeated revolution, her words, and such a disorganized way of doing things and thinking about them that I also ended up being thrown into disarray. Now I am sensing everything going back to normal and I need those jumbled words, those incorrect puns, those Hungarian and Portuguese sayings, her thick accent, the made-up songs and senseless questions in order to recapture a mayhem tha I grew to love.

She came here to study orchids, a subject that I know a lot about but that she knew absolutely nothing about. It is as if chance, misfortune and circumstance had set a trap: a research project about flowers that were described in all the reports she wrote as epiphyte flowers. Right from the start, instead of making strictly scientific notes, she began to refer to me, her mother, Imre and everybody else, and to make comparisons between herself and orchids.

She is actually very similar to an orchid. They pop up in the air, on the upper parts of other plants rooted in the earth - the right place to set down roots. They feed on the remains of other plants and minerals scatered around in the air and, for that reason, are commonly referred to as parasites.

Translated by Lisa Shaw

http://www.amazon.com.br/%C3%8Drisz-as-orqu%C3%ADdeas-Noemi-Jaffe-ebook/dp/B00YSYG55I http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13928
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organizados por noemi jaffe

Arnaldo Antunes - Melhores poemas

A antologia traz poemas de livros como "As Coisas", de 1992, obra ilustrada por Rosa, filha do artista, então com três anos; "2 ou + Corpos no Mesmo Espaço", livro acompanhado de um CD com alguns poemas gravados por Arnaldo e "Palavra...

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2010
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Arnaldo Antunes - Melhores poemas

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A antologia traz poemas de livros como "As Coisas", de 1992, obra ilustrada por Rosa, filha do artista, então com três anos; "2 ou + Corpos no Mesmo Espaço", livro acompanhado de um CD com alguns poemas gravados por Arnaldo e "Palavra Desordem", obra que pode ser lida em qualquer direção.

A seguir, leia dois poemas sem título que figuram na coletânea:

*

quem declara o seu amor
na noite fria
mas num dia de calor
calaria?

(de "Como é que Chama o Nome Disso")

*

o seu
olhar melhora
o meu

(de "2 ou + Corpos no Mesmo Espaço)

 

http://www.amazon.com.br/Arnaldo-Antunes-Normi-Jaffe-Antunes/dp/8526014102/ref=sr_1_5?s=books&ie=UTF8&qid=1443717907&sr=1-5&keywords=arnaldo+antunes
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336 horas | vários autores

UM DIA COMUM, SITUAÇÕES COTIDIANAS E 14 CONTOS EXTRAORDINÁRIOS.

 

Organizada por Noemi Jaffe, crítica literária e escritora, esta coletânea de contos traz histórias sobre pessoas que trabalham como corretores. Esses contos...

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2013
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336 horas | vários autores

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UM DIA COMUM, SITUAÇÕES COTIDIANAS E 14 CONTOS EXTRAORDINÁRIOS.

 

Organizada por Noemi Jaffe, crítica literária e escritora, esta coletânea de contos traz histórias sobre pessoas que trabalham como corretores. Esses contos foram produzidos ao longo do curso de Escrita Criativa, ministrado por Noemi na Casa do Saber. O resultado do trabalho foi surpreendente e revelou um grupo de escritores perspicazes, criativos e com domínio de diferentes estilos narrativos.

As histórias se revelam por cima da camada de rotina e mesmice que recobre a vida desses personagens em um ambiente burocrático. Tratam da rotina de gente que trabalha em escritórios e lida com seguros. Nesses contos os seguros viram uma região de disputa de significados, de paradoxos, em que os termos são instáveis, às vezes até cômicos. A vendedora de apólices, infalível, pode ser uma fada oca que tem o poder de enviar desgraças.

 

Escritores:  Adriana Rossatti, Alcino Junqueira Bastos, Alexandre Teixeira, André Gravatá, Dominique Girard, Eduardo Muylaert, Elza Tamas, Eva Maria Lazar, Flavio Cafieiro, Isabela Quintella, Luciana Gerbovic, Regina Datti, Renato Stetner, Sylvia Beatrix.

http://www.amazon.com.br/336-horas-contos-Noemi-Jaffe-ebook/dp/B00DSUH5Q6/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1443573820&sr=8-1&keywords=336+horas
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Ninguém humano - Bestiário do coletivo litérário | vários autores

Fruto de um desafio proposto pela escritora e crítica literária Noemi Jaffe a um grupo de autores, Ninguém humano reúne 13 histórias de uma verdadeira fauna literária que encanta, provoca inquietação e incomoda. O leitor, em suas...

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2014
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Ninguém humano - Bestiário do coletivo litérário | vários autores

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Fruto de um desafio proposto pela escritora e crítica literária Noemi Jaffe a um grupo de autores, Ninguém humano reúne 13 histórias de uma verdadeira fauna literária que encanta, provoca inquietação e incomoda. O leitor, em suas páginas, se depara com uma hiena delta, um hipopótamo felliniano, a última loba do mundo, estranhas libélulas, uma sucuri fabulista, éguas-marinhas, phocasvitulinas, velhas onças, avestruzes, uma andorinha obesa, rouxinóis esperançosos, um burro navegante e até um nobre porco que desaparece misteriosamente. Os bichos que contam suas vidas neste bestiário emprestam dos homens algumas de suas características: falam, questionam, se revoltam, se entristecem e fazem piadas. De acordo com Noemi Jaffe, mesmo sem conhecer a linguagem e as sensações dos animais, os autores comunicam algo propriamente animal ou que o homem vem perdendo. “Os bichos que, sem exceção, nos desafiam, querem nos dizer que algo não tem andado muito bem com os seres humanos”, completa Noemi.

http://www.terceironome.com.br/ninguemhumano.html
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coordenados por noemi jaffe - selo jota

O capricórnio se aproxima | autor: Flavio Cafiero

“Vender enciclopédias”, “trabalhar em banco”, “comer pudim de pão”, “fazer aula de violão” e, finalmente, “ser de capricórnio”. Códigos familiares para assuntos proibidos para as crianças. É percorrendo esse mapa congestionado da...

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2014
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O capricórnio se aproxima | autor: Flavio Cafiero

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“Vender enciclopédias”, “trabalhar em banco”, “comer pudim de pão”, “fazer aula de violão” e, finalmente, “ser de capricórnio”. Códigos familiares para assuntos proibidos para as crianças. É percorrendo esse mapa congestionado da linguagem que o leitor vai compreendendo lentamente o enredo cheio de humor e melancolia de O capricórnio se aproxima, do carioca Flavio Cafiero.

A personagem principal é João, um taxista que tenta se entender com as novas tecnologias exigidas pela profissão e com a necessidade de aprender inglês por conta da Copa do Mundo no Brasil. Porém, mais difícil do que operar um sistema de GPS ou arriscar um Go on, são as relações familiares, que podem parecer banais apenas para quem as vê de fora. Mas aos poucos vamos nos reconhecendo no cotidiano da família de João através de referências escolhidas com muita agudeza por Cafiero: programas de televisão, jogos de futebol, xingamentos, nomes próprios e comidas típicas. Algum detalhe fisga o leitor.

Surge então um outro mapa: o da cidade do Rio de Janeiro. E assim como o da linguagem, aqui há regras, sentidos obrigatórios, congestionamentos e riscos de acidentes. Os mapas – da linguagem e da metrópole – se sobrepõem criando camadas de significado.

Quando criança, João aprendeu que há palavras que não se pronunciam. Assim como há caminhos que se deve evitar. Mas sonhos, desconfianças, boatos e toda a confusão gerada pela trama densa da linguagem, levam o protagonista a um desfecho dramático. E em alguma medida, patético.

O capricórnio se aproxima é o primeiro livro do Selo JOTA, que tem coordenação e curadoria de Noemi Jaffe. A ideia original desta coleção partiu do pioneiro e consagrado Oulipo, grupo de escritores entre os quais se incluíam Italo Calvino, Raymond Queneau e Georges Perec. Todos os livros do JOTA partem de um desafio, de restrições narrativas que, por paradoxal que pareça, atuam de maneira a incrementar o texto ficcional.

A linguagem como jogo e a arte como forma. Dois pressupostos que orientam este primeiro livro do JOTA e orientarão os próximos. 

Libertar a narrativa do lugar confortável da verossimilhança. Provocar no leitor certa desconfiança em relação aos caminhos prontos da linguagem que orientam suas vidas. 

Percorrer a cidade do Rio de Janeiro e os códigos da linguagem com o João taxista de Cafiero, deve nos lembrar que não há rota segura nesta vida (mesmo com GPS), seja trilhando os caminhos das cidades, das relações pessoais ou da linguagem.

http://www.amazon.com.br/gp/product/B00OXWDE36/ref=s9_simh_gw_p351_d4_i5?pf_rd_m=A1ZZFT5FULY4LN&pf_rd_s=desktop-1&pf_rd_r=1YH3FAY9A5Q63G0Q6ZJA&pf_rd_t=36701&pf_rd_p=2055632282&pf_rd_i=desktop
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Buracos | autora: Ana Estaregui

Um buraco negro. Um buraco na rua, na memória, no corpo. 

Escrever sobre buracos. Esse foi o tema do desafio proposto para Ana Estaregui por Noemi Jaffe, curadora do Selo JOTA. 

Em 41 diferentes versões, Estaregui leva...

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2015
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Buracos | autora: Ana Estaregui

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Um buraco negro. Um buraco na rua, na memória, no corpo. 

Escrever sobre buracos. Esse foi o tema do desafio proposto para Ana Estaregui por Noemi Jaffe, curadora do Selo JOTA. 

Em 41 diferentes versões, Estaregui leva ao limite da forma um tema aparentemente banal, mas que percorre diferentes temporalidades e culturas. Do registro epistolar ao filosófico, passando pela banalidade da publicidade e das listas, um tema aparentemente banal ganha força surpreendente através da prosa livre e fragmentária da autora.

A ideia original do Selo JOTA partiu do pioneiro e consagrado Oulipo, grupo de escritores entre os quais se incluíam Italo Calvino, Raymond Queneau e Georges Perec. Todos os livros do JOTA partem de um desafio, de restrições narrativas que, por paradoxal que pareça, atuam de maneira a incrementar o texto ficcional.

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Clichê | autor: Samir Mesquita

O sinal para os pedestres se abre. As pessoas que esperam nas calçadas iniciam então a travessia. Em meio àquela multidão, duas delas cruzam os olhares, julgam se conhecer, mas continuam seu percurso levando apenas a dúvida consigo. ...

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Clichê | autor: Samir Mesquita

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O sinal para os pedestres se abre. As pessoas que esperam nas calçadas iniciam então a travessia. Em meio àquela multidão, duas delas cruzam os olhares, julgam se conhecer, mas continuam seu percurso levando apenas a dúvida consigo. 

Esta foi a situação escolhida pelo autor Samir Mesquita para o desafio de Noemi Jaffe, curadora do Selo JOTA: escolher uma história banal e escrevê-la das mais diversas formas e pontos de vista. 

Em 40 diferentes versões desta cena tão repetida no cinema e comum em nossas vidas, o autor explora formas como prosa, poesia, diálogo, reportagem, depoimento, entrevista e uma quase epopeia, e apresenta personagens como um aluno em um curso de roteiro, um filho que julga reconhecer o torturador do pai, ou um pai que desconfia ter reconhecido uma filha abandonada, um trabalhador refém de uma rotina, uma mulher em terapia, uma bailarina russa, entre outros tantos.

“Clichê” é assim um livro que busca na repetição uma forma de explorar o novo. E que tenta fugir a cada página da palavra que lhe dá título.

A ideia original do Selo JOTA partiu do pioneiro e consagrado Oulipo, grupo de escritores entre os quais se incluíam Italo Calvino, Raymond Queneau e Georges Perec. Todos os livros do JOTA partem de um desafio, de restrições narrativas que, por paradoxal que pareça, atuam de maneira a incrementar o texto ficcional.

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